quarta-feira, 7 de outubro de 2009

telefone

Foi então que, ainda enrolada na toalha, atendera ao telefone.
Era ela dizendo saudades. Aquele nome (re)significava sua fragilidade com a repetição.




Ela apenas respondeu:












- Sim.







Sequer sabia se seu coração aceitaria.







Ele (forte) aceitou.

(?)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Água corrente

Ela chegou em casa, tirou os sapatos e correu para o chuveiro. Deixou a água molhar com agressividade todo o seu corpo. Estava calma. Serena. A água escorria sobre sua cabeça, seus olhos, suas costas. Acabara de receber a notícia. Ele havia se casado. Assim, como num passe de mágicas. E o susto: ela não sentia dor. Deixou a água invadir cada pedaço do seu corpo nu tão intocado nos últimos tempos. Estava sozinha havia... quanto tempo, mesmo? Não sei o motivo, mas fizera essa opção! Fizera? Parece que sim porque uma mulher jovem como ela, linda, não poderia ficar sozinha aos 29 anos. - "Não, não poderia." Todos pensavam! Mas estava sozinha. Seu único prazer diário era deixar a água escorrer por todo o seu corpo. Ela já não sentia dor com todas as despedidas de seus amores. Antigos? O mais recente e forte de todos havia mandado notícias de que não queria notícias. Dela. Meu Deus! Um amor recusando amor! Era mais ou menos assim que a liberdade se mostrava presente. De mansinho. O primeiro de todos os amores havia se casado já há alguns anos. Em Paris. Fizera 30 anos no penúltimo dia do mês de setembro de nem atendera ao telefone. A liberdade de novo permeava docemente seu presente, (re)significando todos os seus amores. Aquele outro que ela já nem se lembrava mais também havia se casado! - "Então, espere!" Pensou. -"Todos os meus antigos amores já se casaram." Sim. Mas nada disso doía. Mais. Ela apenas continuava sentindo sua solidão debaixo do chuveiro. Nada mais no mundo fazia doer. Ela estava sozinha e não sentia saudades. Fechou a torneira. Deixou a toalha roubar todas as gotas que contornavam seu corpo. Foi para a janela. Qualquer choque térmico a deixaria mais viva. O chuveiro não parava de pingar. Insistente. Água. Calor. Barulho. Incômodo. Parecia que aquele prazer insistia em não deixá-la ir embora. Ela mencionou com o corpo deixar a vista da janela e voltar para o chuveiro. Mas não queria. Não desta vez. Agora ela estava livre para qualquer possibilidade de se encontrar inteira diante da vida.

A água continou escorrendo...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

costume de ser

Como continuar sendo se o que tenho costume de ser vai deixando aos poucos de caber dentro de mim? Como ser se meus olhos me acompanham, mas meus pés traçam limites na minha maneira de existir? Nesta hora saio do meu corpo. Sinto urgência de abandonar os meus desejos. Confesso: eu não caibo dentro de mim.

em cartaz no Rio (!)



Novo espetáculo de José Celso.

quando eu me descobrir sozinha, vou parar de morrer todas as noites!

por quê?

Porque eu gosto um pouco do inferno. Porque eu não sei o que teria sido feito de mim se não tivesse decidido aprofundar no amor e vivê-lo de graça. Sim. Eu canso de ser suave todas as manhãs. Eu preciso um pouco do inferno. Da dúvida. Da dor. Senão a fé não caberia em mim.

terça-feira, 14 de julho de 2009

cie à Fleur de Peau

WORKSHOP DE DANÇA TEATRO EM SÃO PAULO



«bordar em movimento»
poesia e humor na composição coreográfica

"Com o objetivo de aprofundar o trabalho de preparação do intérprete, o eixo principal deste workshop será a composição coreográfica e sua influência na teatralização da dança. O trabalho será voltado para a criação de estruturas cênicas simples, com base em um vocabulário comum elaborado durante as sessões de trabalho: gestos, textos, partituras coreográficas, personagens/intérpretes. O objetivo não é chegar à um resultado apresentável, mas entender o mecanismo de composição. Trata-se de uma pesquisa dentro do universo das emoções e como é possível colocar corpo e alma a serviço da narração.


Conteúdo do workshop:

As sessões de trabalho serão compostas de três ítens principais: preparação corporal, improvisação e composição coreográfica.

- técnicas de base de sua linguagem específica: independência das articulações, coordenação, jogos de disponibilidade, diferentes qualidades de movimento, ritmo, energia;

- aprendizado de certas coreografias do repertório e abordagem do sistema de composição coreográfica e cênica utilizados pela companhia;

- trabalho personalizado de cada intérprete/bailarino e de seu gestual, o tragi-cômico e o "natural estilizado";

- teatralização do movimento, criação de sequências gestuais e de "partituras visuais e musicais";

- como chegar à dança tendo como base situações cotidianas e determinadas intenções teatrais;

- como encontrar uma forma cênica adequada para exprimir uma emoção.

São Paulo:
* 25 e 26 de julho de 2009
sábado das 10h às 16h30
domingo das 10h às 15h30
obs. 1/2 hora de intervalo para lanche
Local: ESPAÇO GUIARÁ - Rua Guiará, 157 - Pompéia
Informações e inscrições :
fe.haucke@companhiadofeijao.com.br

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Sobre a cie « à fleur de peau »

* Ela é brasileira, ele alemão; vivem em Paris onde fundam sua companhia em 1988. Até hoje já criaram vinte espetáculos e coreografias para «à fleur de peau» e para o repertório de outras companhias como: Cisne Negro, Balé da Cidade de São Paulo, Bernballett, Cia. de Danças de Diadema, Rotterdamse Dansacademie e Cirka Teater.

* A companhia participou de festivais e eventos internacionais de renome ("Biennale de la Danse", Lyon, "Holland Dance Festival", Haia, "Rio Panorama" etc.) e apresentou seus espetáculos em diversos países. A coreografia «4'quarts» obteve o 1° prêmio no "Tremplins de la Danse" em St.-Dizier e o prêmio de humor no "Concurso Volinine" em St.-Germain-en-Laye, «quelques réflexions» obteve o 1° prêmio no "Concurso Internacional para Coreógrafos" em Groninga, Holanda.

*«aller-retour simple» foi co-produzida pela Cia. Maguy Marin/CCN Rillieux-la-Pape (accueil studio). «un ange passe-passe ou entre les lignes il y a un monde» pelo Théâtre de l'Enfumeraie (Sarthe), durante uma residência de criação. «como se não coubesse no peito» foi uma encomenda do Balé da Cidade de São Paulo, com patrocínio da Petrobrás e «talvez sonhar …» uma encomenda da Cia. Cisne Negro, co-produzida pelo SESC. A criação «que reste-t-il de nos amours ?» (para 10 bailarinos) foi co-produzida pela Maison de la Danse de Lyon em 2005 (residência), com patrocínio da Fondation BNP Paribas, do Ano do Brasil na França, ADAMI, ONDA e do Centre National de la Danse. A criação, «miroirs de l'âme», teve sua estréia em março de 2007, no Théâtre du Lierre, em Paris, iniciando uma residência de 4 anos. Em 2008, para as festividades dos 20 anos da companhia, criaram duas peças : «au delà du temps» e «si un jour je te quitte, je te garderai en moi à nu à vif à jamais».

Concepção artística

* Denise Namura e Michael Bugdahn consideram a coreografia como um modo para veicular a emoção, como uma forma carregada de significação concreta. Sua pesquisa é baseada no uso do corpo inteiro como instrumento polivalente e num trabalho intenso sobre o gesto e sobre a musicalidade do movimento. A Cia. « à fleur de peau » prega a mistura de gêneros e propõe um olhar sobre a condição humana, cheio de ternura, generosidade, humor e emoção, a fim de vivenciar uma troca imediata com o público.

* A pedagogia é um aspecto essencial de seu trabalho. Desde a criação da companhia, os dois coreógrafos se dedicam a uma atividade pedagógica baseada na teatralização da dança, um elemento intimamente ligado ao desenvolvimento de seu discurso dançado. A partir de um trabalho de preparação do intérprete, organizam regularmente workshops, oficinas e cursos para profissionais, amadores e crianças."

sábado, 11 de julho de 2009

festival Valère Novarina



Valère Novarina fará conferência no dia 13 de julho no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Com debates, mesas redondas e conferências em torno da obra do artista.

"NOVARINA EM CENA é um projeto de criação artística que abrange montagem e apresentação de quatro espetáculos, uma prática de montagem, leituras dramatizadas, mesas redondas e lançamento de livro em torno de um único artista: Valère Novarina, autor e artista plástico contemporâneo francês. À frente do evento estão Angela Leite Lopes, responsável, há dez anos, pela tradução dos textos de Novarina no Brasil, Thomas Quillardet, diretor teatral francês, responsável pela montagem de O beijo no asfalto de Nelson Rodrigues na França, e de autores contemporâneos franceses no Brasil e Ana Kfouri, atriz e diretora teatral.

O projeto NOVARINA EM CENA contará com a participação da diretora francesa Claude Buchvald - uma das principais encenadoras da obra de Novarina na França. Buchvald dirigirá um espetáculo e orientará uma prática de montagem, fruto do intercâmbio entre as Universidades Paris 8 e UFRJ. NOVARINA EM CENA terá a honra de contar também com a presença do autor, Valère Novarina. Abertura do evento no Espaço Sesc (arena) – dia 15 de julho, com a presença do autor e lançamento do livro “Ateliê Voador e Vocês que habitam o tempo”, tradução de Ângela Leite Lopes.

O projeto NOVARINA EM CENA apresentará quatro espetáculos do autor, todos com tradução de Angela leite Lopes

O Animal do Tempo – primeira parte do texto Discurso aos Animais



Direção Antonio Guedes
Atuação Ana Kfouri

Em Discurso aos animais - o animal do tempo, um personagem caminha por entre túmulos e fala. É essa fala que vai construindo a cena, enquanto ele vai dando indícios de quem é. Nascimento, vida, morte - não nessa ordem, aliás, sem ordem nenhuma - são narrados por esse João Gebú, João sem ações, João de Cadáver e de Espírito, João Penúltio, João Sem Nome, na constante mutação expressa pelo eterno nomear, no movimento incessante reforçado pela linguagem criada, inventada, brincada, mas que aparece como único traço de certeza e de constância. A verdadeira matéria do homem é a sua palavra.

A Inquietude - segunda parte do texto Discurso aos Animais

Direção Thierry Trémouroux
Atuação Ana Kfouri

Texto que constrói vazios, espaços, interrogações, tecido por uma dramaturgia sem história a ser contada, pulsada por uma melancolia e uma crueza ferina. A Inquietude apresenta um “personagem” excepcional: João Mancada, em francês, Jean qui Cloche.

E com João Mancada vamos a vários lugares e tempos, ouvindo “em frases morses todas as canções repetirem estritamente a mesma coisa”. Jean qui Cloche é corpóreo, espiritual, lúdico e parece confirmar o desejo de Novarina quando ele diz “que está há muito tempo à procura de algo como uma arte lírica sem eu. Não ser mais homem, mas um que emite figuras humanas sem parar: dançar sem saber, pensamentos sem ter, sinais sobre os muros”.

O Ateliê Voador

Estreia 17 de julho – Espaço Sesc - arena
Direção Thomas Quillardet
Atuação Cris Larin, Renato Carrera, Cecília Hoeltz, Pedro Henrique Monteiro, Letícia Novaes, Laura Nielsen, Renato Livera e Sérgio Medeiros.

Comédia. Seis empregados, tão desprovidos de identidade que são chamados
por letras do alfabeto, vivem sob o mais perfeito domínio do casal
Boucot. Os patrões, obcecados pelo medo de uma revolta por parte dos trabalhadores, elaboram as mais variadas estratégias para controlar todos os aspectos
de suas vidas e, principalmente, a linguagem.

O choque das línguas

Até 13 de julho - Teatro Glauce Rocha
Direção – Claude Buchvald
Atuação - Claude Merlin e Lorena da Silva

Projeto de espetáculo a ser produzido pela Companhia Claude Buchvald, com textos de Valère Novarina e tradução de Angela leite Lopes."

sábado, 20 de junho de 2009

solidão do ator

O ator em cena, entra em sua solidão, publicamente, diante de todos.





"O ator, na sua vida de entradas perpétuas, é um que avança diante de nós para desaparecer. O ator existe por isso. Para sair de sua identidade". Valère Novarina.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

em cartaz em São Paulo (!)




para diminuir a dor do mundo

o cãozinho que tirei da estrada (!) . . .


sinto tanto

sinto muito tanto querer sentir tudo aquilo que me causava
entende?
sinto tanta saudade de tudo aquilo que me fazia sentir
mais fácil?
sinto muito e tanto que se torna falta daquilo que sentia com você
lembra?
mas não quero o gosto que sentia no percurso para chegar àquele lugar
tão claro
Me ensina por favor outro caminho.

Sinto muito tanto querer. .

quinta-feira, 4 de junho de 2009

o que aprendi hoje

O segredo está em fazer da disciplina um ritual. Tornar sagrado cada repetição cotidiana. Talvez assim seja possível não cansar nunca. Ainda vou descobrir!

Palavras dedicadas a Tonio Carvalho.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

inteira na minha solidão

Faltavam poucos dias para o ano começar. Eu me lembro bem. Quase não dava para acreditar. Meus olhos embaçados não enxergavam sequer a densidade da chuva que sempre constrói o cenário de Belo Horizonte no mês de dezembro. Eu estava inteira na minha dor. Era a primeira de tantas despedidas desta época da minha vida. Mas é mais ou menos assim que acontece. Uma vez uma pessoa muito sábia que conheci me disse que temos que viver a dor por inteiro. Assim como vivemos a felicidade. Temos que aceitar a dor. Eu aceitei. Lembro do trajeto que fazia do meu quarto até a varanda da minha casa. Era tudo o que conseguia caminhar. Foi assim nos primeiros dias. Quase não conseguia respirar. Seguia. Pegava o carro a qualquer hora do dia só para sentir a água fria da cachoeira caindo pesada em meus ombros. Reinventei minhas conexões e minha fé. Mas como tudo na vida acontece dessa forma, aquela mesma varanda alguns meses depois virou cenário de um (re) encontro com tantos amigos que há muito deixara de lado. Meus finais de semana eram curtos tamanha minha vontade de viajar. Apareceram trabalhos. Passeios. Encontros. Conheci novos lugares. Outras praias. Escutei novos sotaques. A vida brinca um pouco com nossa dor. Coloca em cheque. Provoca. Coloca à prova. Dá de bandeja milhões de possibilidades e brincadeiras só pra nos distrair. Então mudei de casa. Troquei os pneus do carro. Comprei uma nova cama para meu quarto. Mudei minha forma de me relacionar com o mundo. Aprendi uma nova maneira de amar. Sim. Escorreguei. Perdi as contas de quantas vezes me entreguei. Confesso que até tentei amar mais uma vez. Ganhei uma bicicleta de alguém que nem me conhece. Colori as paredes da minha casa. Mas (!) e daí?! Quer saber? Amanhã vou acordar cedo para andar de bicicleta no Aterro. Bobagem? Não é, não! Vou fazer isso porque não adianta. Nada adianta. Decidi mergulhar inteira na minha solidão. Daí tanto faz. Cores. Amigos. Amores. Eu tenho que ficar só. Só assim vou entender porque naquele dia, no mês de dezembro, eu não consegui enxergar a densidade da chuva quando ele, sim, o meu amor, se foi. Ah! Sim. Como isso ainda me dói.

sábado, 23 de maio de 2009

pelo mundo


Vejo nossas bicicletas cobertas de chuva. Vejo nosso caminho coberto de sol!

5 meses sem ver você

depois de 5 meses o que eu poderia te dizer:

"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu Deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando."

domingo, 10 de maio de 2009

nada a dizer

Despertar. Um copo de água. Uma maçã. Repito quase sempre as mesmas partituras. Todos os dias. Cada uma povoada de novas inspirações. Tento alongar todas as partes do meu corpo. Dilatar todos os espaços vazios. Do lado de cá não faz frio. A paisagem continua no mesmo lugar. As folhas de macela perfumaram todo o quarto. Os livros se misturaram na estante. Os dias parecem mais longos. Mais curtos. Como pode ser assim? Procuro seus olhos na linha do horizonte. Aposto que do lado de lá seus movimentos misturam as cores de toda a Turquia e da Grécia. Se esta saudade imensa ficou maior que toda a Anatolia, a Tracia, a Asia Menor, (ai) o que posso dizer? Apenas registro que do lado de cá os meus dias se repentem e se renovam felizes à cada lembrança que ele(a) me traz.

para brincar (Quelqu'un M'a Dit )



"Falam que nossas vidas não são grande coisa,
Elas passam em um momento como murcham as rosas.
Falam que o tempo é um canalha
Que nossas tristezas são aparência
No entanto alguém fala para mim...

Que você ainda gosta de mim,
Alguém que me disse que você ainda gosta de mim
Será isto possível então?

Falam me que o destino se diverte conosco
Que não nos dá nada e que nos promete tudo
Que a felicidade está dentro do alcance,
Então um aperta a mão e se encontra
No entanto alguém fala para mim...

Mas quem me disse que você gosta de mim?
Eu não recordo mais, estava atrasada na noite,
Eu ouço ainda a voz, mas eu não vejo o rosto
"ele ama você, isso é segredo, não lhe diga que eu disse a você"
Você vê alguém dizendo a mim...

Que você ainda gosta de mim, você disse isso realmente...
Que você ainda gosta de mim, seria isto possível então?

Falam que nossas vidas não são grande coisa,
Elas passam em um momento, como murcham as rosas
Falam que o tempo é um bastardo
Que nossas tristezas são aparência
No entanto alguém fala para mim..."

sábado, 9 de maio de 2009

registrando